Reabilitar o ecossistema agrícola
A nível global, as práticas e operações agrícolas estão a tornar-se mais ecológicas e conscientes do ponto de vista ambiental. Com a Agricultura 4.0 e a agricultura de precisão a consolidarem-se em explorações agrícolas em todo o mundo, as práticas regenerativas estão a tornar-se a norma. No centro da agricultura regenerativa está o objetivo de melhorar a saúde e a fertilidade do solo. Esta abordagem foca-se na reconstituição da matéria orgânica do solo e da biodiversidade, permitindo uma produção agrícola de época mais rica em nutrientes e de elevada qualidade, sem esgotar os elementos vitais de que o solo necessita para continuar a produzir culturas deste teor.
A Regeneration International, uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover, facilitar e acelerar a transição global para a alimentação, agricultura e gestão do solo regenerativas, afirma que, segundo os cientistas do solo, «ao ritmo atual de destruição do solo, dentro de 50 anos não só sofreremos danos graves na saúde pública devido a um abastecimento alimentar qualitativamente degradado, caracterizado por menor nutrição e perda de oligoelementos essenciais, como deixaremos literalmente de ter solo arável suficiente para nos alimentarmos». É por isso imperativo começar a adotar práticas agrícolas que proporcionem soluções ambientais, especialmente no que diz respeito à saúde do solo.
Embora a agricultura regenerativa possa ser um conceito novo para alguns, a maioria dos agricultores já a considera uma boa prática agrícola e entende que deve integrar qualquer operação no setor. Abaixo, explicamos em que consistem algumas destas práticas agrícolas e os seus benefícios.
Práticas de agricultura regenerativa
Pastoreio rotacional
O pastoreio rotacional consiste em deslocar o gado por uma série de parcelas de pastagem durante o pastoreio. Isto permite que as pastagens descansem enquanto não são utilizadas, o que melhora a saúde das plantas e do solo, dando tempo às plantas para recuperarem e aprofundarem os seus sistemas radiculares.
Mobilização mínima e sementeira direta
Ao incorporar a sementeira direta nas suas operações, os agricultores conseguem aumentar a densidade de nutrientes e a fertilidade do solo em simultâneo. Esta técnica contribui também para a retenção de matéria orgânica, garante uma maior capacidade de retenção de água e estimula uma maior atividade biológica no solo em comparação com solos mobilizados. Como resultado, o solo tem capacidade para produzir culturas de qualidade superior.
Composto e estrume
Estas aplicações oferecem diversos benefícios para a saúde do solo, tais como alimentar os microrganismos do solo, melhorar a estrutura edáfica e adicionar carbono, o que ajuda na retenção de nutrientes e água. A utilização de composto natural e de estrume nas operações do solo permite reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos e impulsionar o desenvolvimento das plantas.
Culturas de cobertura
As culturas de cobertura consistem no cultivo de plantas entre as colheitas para «cobrir» o solo. O objetivo é fornecer nutrientes ao solo durante todo o ano – e não apenas na época de cultivo. Além de nutrir o solo dentro e fora de época e de melhorar a sua qualidade, a cultura de cobertura ajuda a prevenir a erosão, as pragas e as infestantes, entre outros fatores.
Rotação mista de culturas
Para criar uma melhor estrutura do solo, o que favorece o desenvolvimento das plantas e da terra, os agricultores estão a priorizar a rotação de culturas nas suas explorações. Alternar o tipo de cultura explorada em determinadas áreas contribui para reduzir o esgotamento do solo, reforçando a biodiversidade e a qualidade do terreno. A vantagem do uso de culturas mistas reside no facto de diferentes plantas terem diferentes necessidades nutricionais. Utilizar culturas distintas com exigências variadas significa não esgotar todos os nutrientes do solo. Isto melhora a sua fertilidade e saúde, otimizando o crescimento vegetal e o rendimento das culturas.
Benefícios que vão além do solo
Embora as vantagens da agricultura regenerativa sejam evidentes na saúde do solo e no impacto ambiental a longo prazo, existem alguns benefícios menos visíveis que merecem destaque: os custos de fatores de produção e os mercados finais. A agricultura regenerativa gera poupanças financeiras. Isto deve-se à menor necessidade de recorrer a fertilizantes, pesticidas e produtos químicos na exploração, uma vez que a saúde do solo foi otimizada e a sua matriz orgânica fomenta agora o desenvolvimento de insetos e outros organismos auxiliares.
Com mais explorações agrícolas a adotarem a transparência nas suas operações, impulsionadas pela procura do consumidor, o mercado final está a apoiar firmemente a agricultura regenerativa. Na conjuntura atual de maior consciência ecológica e respeito pelo ambiente, os consumidores não querem apenas saber de onde vem a sua comida, mas também como é produzida. Adotar medidas para melhorar a qualidade e a saúde do solo trará benefícios económicos e ambientais para a sua exploração durante várias gerações.

